top of page

O lugar das mulheres no atual Senado

  • 15 de jan.
  • 3 min de leitura

O Senado reflete uma conhecida desigualdade estrutural na representação política do país em várias dimensões. Não por acaso, apenas em 2015 foi construído o primeiro banheiro feminino na Casa, um indicativo do quanto a instituição foi historicamente pensada sem as mulheres como sujeitos permanentes de poder.


Atualmente elas ocupam 15 cadeiras (menos de 20%) da Casa, embora representem 51,5% da população brasileira. Infelizmente essa distorção não é exclusividade da Câmara Alta: a sub-representação feminina se repete em todas as casas parlamentares do país, revelando uma condição sistêmica que é sintoma de tantos outros desequilíbrios estruturais da nossa sociedade.


Quem são as parlamentares e como chegaram ao Senado


Em 2018, quando duas vagas foram disputadas por estado, foram eleitas seis senadoras: Eliziane Gama (MA/PSD), Zenaide Maia (RN/PSD), Leila Barros (DF/PDT), Soraya Thronicke (MS/PODE), Mara Gabrilli (SP/PSD) e Daniela Ribeiro (PB/PP). Outras duas assumiram como suplentes definitivas: Ivete da Silveira (SC/MDB), que tomou posse quando Jorginho Mello foi eleito governador de Santa Catarina em 2022, e Eudócia Caldas (AL/PL), que assumiu em dezembro de 2024 após o titular Rodrigo Cunha renunciar para tomar posse no cargo de vice-prefeito de Maceió. Margareth Buzetti (MT/PP) assumiu temporariamente a cadeira do senador Carlos Fávaro quando ele foi designado Ministro da Agricultura e, recentemente, deu lugar ao segundo suplente de Fávaro, José Lacerda (MT/PSD).


Já em 2022, quando a disputa era por uma vaga por estado, sete mulheres chegaram ao Senado: Tereza Cristina (MS/PP), Damares Alves (DF/REPUBLICANOS), Augusta Brito (CE/PT), Jussara Lima (PI/PSD), Dorinha Seabra (TO/UB) e Teresa Leitão (PE/PT). Ana Paula Lobato (MA/PDT), que havia assumido inicialmente como suplente temporária do então Ministro da Justiça Flávio Dino, conquistou a cadeira de forma definitiva com a renúncia de Dino em 2024 para assumir como Ministro do STF.


Alinhamento das Senadoras com o Governo Federal


A Plataforma Laguz estrutura e articula diferentes fontes de informação para produzir leituras analíticas sobre o Senado, a partir de categorias interpretativas próprias. Nesse processo, dados públicos amplamente reconhecidos, como o índice de governismo elaborado pela Congresso em Foco, são utilizados como insumo analítico, combinados à análise semiótica da comunicação digital e dos discursos públicos dos perfis avaliados pela Laguz. Um exemplo dessa articulação metodológica é a classificação do grau de alinhamento das atuais senadoras em relação ao governo federal.


Na base do governo, oito senadoras apresentam elevada convergência de voto e alinhamento discursivo consistente com as prioridades do Executivo: Ana Paula Lobato (MA/PDT), Augusta Brito (CE/PT), Jussara Lima (PI/PSD), Dorinha Seabra (TO/UB), Eliziane Gama (MA/PSD), Ivete da Silveira (SC/MDB), Zenaide Maia (RN/PSD) e Leila Barros (DF/PDT).


No apoio pragmático Eudócia Caldas (AL/PL) tem um perfil mais conciliador que seus colegas de partido e, enquanto esteve no cargo, Margareth Buzetti (MT/PP) votou de acordo com interesses regionais e setoriais.


Na oposição pragmática Soraya Thronicke (MS/PODE) tem apresentado um deslocamento crescente em relação às agendas governamentais.


Na oposição ideológica Tereza Cristina (MS/PP) se apoia em uma agenda setorial do agronegócio e Damares Alves (DF/REPUBLICANOS) em pautas de cunho moral, que inclui discurso anti corrupção. Ambas votam sistematicamente contra o governo e adotam posicionamento público contrário em temas estruturantes do campo progressista.

Período analisado: 2022 até o momento atual, considerando que os mandatos possuem durações distintas.


Estilo e potência de comunicação das Senadoras


A presença digital das senadoras revela padrões distintos de comunicação e estratégia política. Damares Alves (DF/REPUBLICANOS) apresenta relevância digital intensa, com forte presença em redes sociais e ampla repercussão nacional junto ao público que valoriza pautas de costumes, religião e embates contra o governo.


Em um segundo patamar, e com relevância expressiva, estão Tereza Cristina (MS/PP) e Soraya Thronicke (MS/PODE), que mantêm canais ativos de comunicação com foco em pautas setoriais, regionais e na articulação política.


A maioria das senadoras, Ana Paula Lobato (MA/PDT), Augusta Brito (CE/PT), Jussara Lima (PI/PSD), Dorinha Seabra (TO/UB), Eliziane Gama (MA/PSD), Ivete da Silveira (SC/MDB), Zenaide Maia (RN/PSD) e Leila Barros (DF/PDT), apresenta relevância digital baixa, com atuação discreta nas redes sociais e menor visibilidade midiática.

 
 
 

Comentários


Laguz Pesquisa Qualitativa - Todos os direitos reservados © 2025

bottom of page